a vida explosiva da “Ruiva do Job” presa no DF

Cabelos cor de fogo, maços de dinheiro e armamento pesado. O perfil de Kethlen Eduarda Hermisofe de Souza, conhecida como a “Ruiva do Job”, não era apenas uma vitrine de sua vida pessoal, mas um catálogo de evidências para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Presa durante a Operação Eiron, Kethlen é apontada como peça-chave de engrenagem criminosa que operava em Samambaia Norte.

Segundo as investigações da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), a mulher equilibrava uma vida dupla: enquanto realizava programas sexuais, atuava ativamente no tráfico de drogas e na associação para o crime. A audácia de ostentar dinheiro e poder bélico no Instagram serviu como fio condutor para que os agentes monitorassem seus passos. Hoje, ela cumpre prisão preventiva e integra o grupo de 14 pessoas detidas na megaoperação que abalou as estruturas do crime organizado no DF.

À policia, a ruiva chegou a dizer que mantinha perfis em plataformas de conteúdo adulto, nas quais vendia fotos e vídeos eróticos, mas sem ligação com prostituição ou tráfico. A Operação Eiron, desencadeada na madrugada da última quarta-feira (6/5), mobilizou 200 policiais para desmantelar célula que importou estratégias das facções do Rio de Janeiro. O grupo não se limitava a vender entorpecentes; buscava o domínio territorial por meio da cooptação social.

Veja imagens da “Ruiva do job”:

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Segundo as investigações da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), a mulher equilibrava uma vida dupla: enquanto realizava programas sexuais, atuava ativamente no tráfico de drogas e na associação para o crim

Material cedido ao Metrópoles

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A audácia de ostentar dinheiro e poder bélico no Instagram serviu como fio condutor para que os agentes monitorassem seus passos. Hoje, ela cumpre prisão preventiva, integrando o grupo de 14 presos na megaoperação que abalou as estruturas do crime organizado no DF

Material cedido ao Metrópoles

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Operação Eiron, desencadeada na madrugada desta quarta-feira (6/5), mobilizou 200 policiais para desmantelar uma célula que importou estratégias das facções do Rio de Janeiro. O grupo não se limitava a vender entorpecentes; buscava o domínio territorial através da cooptação social

Material cedido ao Metrópoles

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À policia, a ruiva chegou a dizer que mantinha perfis em plataformas de conteúdo adulto, onde vendia fotos e vídeos eróticos, mas sem ligação com a prostituição ou tráfico

Material cedido ao Metrópoles

Filantropia do crime

Inspirados no Terceiro Comando Puro (TCP), os criminosos financiavam festas comunitárias e distribuíam cestas básicas, bolos e brinquedos em datas como Dia das Mães e Dia das Crianças. O objetivo era perverso: comprar o silêncio da vizinhança e criar barreira de gratidão que impedisse denúncias contra o tráfico.

“Eles tentavam substituir a presença do Estado por uma falsa rede de proteção social”, afirmou um dos investigadores. Um dos detalhes mais alarmantes da apuração foi a pichação da Estrela de Davi em muros e casas de Samambaia. O símbolo é a marca registrada de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, líder do TCP no Rio de Janeiro. A adoção da insígnia na capital federal indica alinhamento ideológico e tentativa de replicar o modelo de “Complexo de Israel” fluminense em solo brasiliense.

O grupo operava um verdadeiro “tráfico moderno”. Por meio de cardápios virtuais e aplicativos de mensagens, os criminosos ofereciam desde crack e cocaína até variações refinadas de droga, como skunk, dry e ice. Para driblar a fiscalização, as entregas eram feitas via delivery, com os entorpecentes camuflados em embalagens de fast-food.

Tribunal do crime

A faceta “solidária” do grupo caía por terra no cotidiano de violência. A PCDF identificou a prática do tribunal do crime para punir desertores ou quem descumprisse as ordens da chefia. Um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá em fevereiro de 2026, crime que ainda está sob apuração, mas que é associado ao ambiente de periculosidade da organização.

Ao todo, foram cumpridos 39 mandados judiciais. Os envolvidos agora enfrentam acusações que, somadas, podem ultrapassar 35 anos de reclusão, abrangendo tráfico, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.



Tribunal Brasília

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