Aparecida Ferreira de Maria, brasiliense e mãe de sete filhos, é uma das protagonistas do livro “Mulheres que Reciclam o Futuro”. Aos 41 anos, ela se tornou uma voz na literatura e um exemplo de resiliência, atuando hoje como defensora da valorização dos catadores de materiais recicláveis.
A rotina de Aparecida começa quando o dia ainda está nascendo. Às 5h da manhã, ela deixa sua casa para garantir o sustento das cinco filhas e dos dois meninos. Viúva há um ano, encontrou na reciclagem não apenas a sobrevivência, mas um caminho para a independência.
“O trabalho faz a gente se sentir importante. Se sustentar do seu próprio salário é bom demais”, compartilhou.
A relação de Aparecida com a reciclagem é profunda. Filha de catadores, viu o pai recorrer aos resíduos quando as vendas como camelô já não eram suficientes para sustentar os cinco filhos. Diante da maternidade, aos 18 anos, ela também encontrou na catação uma alternativa viável de renda.
Começou na cooperativa Reciclo, onde o trabalho era pesado. “Começamos pelo chão, né? Tratando coisa no chão mesmo, separando no chão, que ainda não tinha esteira. Aí depois consegui uma vaga na Centcoop, onde é uma esteira que a gente trabalha em cima, separando material. Daí melhorou bastante, né? Não tinha mais sol, aquele sol que a gente pegava. Mas foi tudo de bom”, recorda. Após quase uma década no setor, hoje ela atua como ajudante de cozinha na Central das Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do DF (Centcoop).
Participar da obra trouxe reconhecimento e parceria entre as mulheres que compartilham do mesmo trabalho. “Aqui a gente conversa muito, cada uma conta a sua história, e eu vejo que são mulheres muito guerreiras. Elas chegam com histórias parecidas, de dificuldade, e encontram acolhimento. É um lugar onde a gente se escuta, se apoia e vai seguindo em frente”, destaca.
A reação dos filhos ao verem a mãe em destaque foi de pura alegria. Uma foto de Aparecida, tirada pela fotógrafa Magali Moraes para o livro, já circula pela casa e orgulha desde a pequena Ana Carolina, de 6 anos, até a primogênita Crislani, de 24. “Eles ficaram muito felizes. ‘Mãe, ficou muito bonito’”, conta Aparecida, que aguarda ansiosa para segurar o exemplar físico.
Aparecida Ferreira de Maria, brasiliense e mãe de sete filhos, é uma das protagonistas do livro “Mulheres que Reciclam o Futuro”
Magali Moraes/Mulheres que Reciclam o Futuro
Filha de catadores, viu o pai recorrer aos resíduos quando as vendas como camelô já não eram suficientes para sustentar os cinco filhos
Magali Moraes/Mulheres que Reciclam o Futuro
Aos 41 anos, ela se tornou uma voz na literatura e atua como defensora da valorização dos catadores de materiais recicláveis
Magali Moraes/Mulheres que Reciclam o Futuro
A obra dá voz e rosto a mulheres que representam 70% da força de trabalho entre os cerca de 800 mil catadores no Brasil
Magali Moraes/Mulheres que Reciclam o Futuro
Participação no livro
O convite para ser uma das 25 protagonistas surgiu via Aline Sousa, ex-diretora presidente da Centcoop. Para Aparecida, contar sua história para a escritora Viviane Mansi foi um momento de catarse.
“Eu queria desabafar, realmente. Naquele momento eu chorei… Tirei tudo que estava dentro de mim”, revela.
A obra dá rosto a mulheres que representam 70% da força de trabalho entre os cerca de 800 mil catadores no Brasil. Realizado pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis via Lei de Incentivo à Cultura, o livro será lançado em Brasília no dia 20 de maio, próxima quarta-feira. A publicação celebra o mês do Dia Mundial da Reciclagem, que cai no domingo (17/5), e estará disponível para download gratuito no site da editora.





