Ao CB.Poder, gestor destacou as principais realizações do governador Ibaneis Rocha e garantiu que uma das prioridades no último ano de mandato é cadenciar a gestão orçamentária para executar as políticas públicas normalmente
Daniel Izaias de Carvalho, secretário de Economia do DF, foi o entrevistado do CB.Poder desta segunda-feira (26/1) – (crédito: Bruna Gaston CB/DA Press)
Houve aumento de arrecadação tributária em 2025, de ICMS e ISS, e há uma projeção de aumento de receita para este ano. Por que a necessidade desse decreto que o governador Ibaneis Rocha assinou (nº 48.172, de 20 de janeiro de 2026), reorganizando as despesas e pedindo para se “apertar o cinto”?
O governador Ibaneis está convencido de que o seu governo é o melhor da história do DF, pela revolução na infraestrutura e por ter triplicado o orçamento na área de assistência social, que saiu de R$ 300 milhões para quase R$ 1 bilhão. Além disso, ele pagou a terceira parcela (do reajuste) dos servidores, que estava atrasada, contratou mais de 37 mil servidores e tirou do papel o plano de saúde da categoria. Ele quer entregar as contas públicas em dia, junto com todo esse pacote de medidas que fizemos ao longo dos anos.
Quais áreas terão contingenciamento e quais serão preservadas? Como é o plano de ação?
Temos que fazer um trabalho de cadenciar a execução do Orçamento, para que as políticas públicas ocorram de forma regular. Esse decreto que a gente soltou na semana passada acontece todos os anos, que é o decreto de programação financeira orçamentária. Isso significa que, quando vira o ano, a gente começa uma nova peça orçamentária, com R$ 74 bilhões para serem utilizados ao longo dos meses. Só que a gente não recebe esse total em 1º de janeiro, vamos arrecadando esse recurso paulatinamente, ao longo do ano, e a gente precisa cadenciar as despesas de acordo com o ingresso de recursos. Por isso, liberamos as cotas financeiras para todas as unidades orçamentárias ao longo do ano, para que elas não executem além do que a gente está arrecadando. É um instrumento usado todos os anos, e que chamou mais atenção porque estamos em ano eleitoral.
O senhor citou que várias obras foram realizadas e houve um aumento grande na área social. De onde saíram esses recursos? Houve aumento de arrecadação nessas duas gestões do governador Ibaneis?
Na verdade, o Orçamento vai crescendo de maneira incremental. A base de arrecadação aumenta não por alíquota, mas, sim, por um crescimento vegetativo e da atividade econômica, que é o que promoveu o aumento da arrecadação. E quando a gente fala do Fundo Constitucional do DF, temos um fator de correção, feito a partir do crescimento da receita corrente líquida da União. Esse aumento fez com que a gente chegasse a um Orçamento, hoje, de quase R$ 74 bilhões por ano. E foi com esse crescimento, ao longo dos anos, que a gente conseguiu investir em políticas sociais, na saúde, na educação, na área de segurança e infraestrutura.
Sobre a questão do BRB, fala-se na possibilidade de aporte de recursos para o banco. Já chegou alguma informação do Banco Central sobre a necessidade desse aporte?
Essas informações são tratadas em atos de comunicação direto com o presidente do BRB. E são informações que, de maneira geral, são tratadas com sigilo, porque estamos falando de informações de instruções financeiras. O que eu posso dizer, muito tranquilamente, é que o banco tem condições sólidas de enfrentar essas adversidades. Desde novembro de 2025, o BRB tem sofrido vários ataques especulativos e a gente vê o banco funcionando normalmente. À medida que o banco tiver informações sobre o que precisa ser feito, o GDF vai se organizar para resolver a situação, porque o BRB é um patrimônio de Brasília. O BRB é uma entidade privada, da qual o Distrito Federal é o sócio majoritário, que funciona no mercado financeiro, regulado pelo Banco Central, e tem um modelo de negócio claro. Se o GDF é o acionista majoritário e precisar ajudar, ele vai ajudar. Como já aconteceu, não só no DF, mas na União e em outros estados, várias vezes. A União acabou de socorrer os Correios, com aporte de R$ 10 bilhões.
